“Legado do Papa Francisco” e “desarmamento” são os temas da Prova do Processo de Admissão ao Curso de Teologia 2026 da Itepa Faculdades

A Itepa Faculdades realizou na manhã de 3 de dezembro de 2025 a Prova de Admissão para o Bacharelado em Teologia de 2026. A Prova constava de dois textos, sendo que o candidato/a deveria escolher um deles e dissertar/argumentar sobre a temática do texto escolhido.

         O primeiro texto tinha por título “Qual foi a marca deixada pelo Papa Francisco que permanece viva em nossa mente?” e foi publicado no site da Itepa Faculdades. O segundo texto é um trecho da Meditação do Papa Leão XIV durante a Vigília e Rosário pela Paz, em 11 de outubro de 2025. O resultado da Prova será divulgada hoje, 5 de dezembro, no site da Itepa Faculdades

Texto 1:

Publicado no site da Itepa Faculdades, 22.4.2025

Qual foi a marca deixada pelo Papa Francisco que  permanece viva em nossa mente?

A Celebração Eucarística realizada na Capela da Itepa Faculdades foi marcada por sentimentos contrastantes: a alegria pela ressurreição de Jesus Cristo e a tristeza pela partida do Papa Francisco. Sua vida e obra permanecerão gravadas na memória e no coração. Qual foi a marca deixada pelo Papa Francisco que permanece viva em nossa mente?

Durante a Missa, foram recordadas as marcas profundas e transformadoras que o Papa Francisco deixou na Igreja e no mundo. Ele se destacou como um líder espiritual centrado no Evangelho, cuja vida e ensinamentos continuam a inspirar os Católicos e a humanidade. Entre os aspectos destacados, estão:

  • Alegria como sinal de fé autêntica: Uma espiritualidade marcada pela alegria de ser discípulo(a) de Jesus Cristo.

  • Uma Igreja em saída: O constante apelo a uma Igreja missionária, próxima das pessoas, especialmente das periferias geográficas e existenciais.

  • Simplicidade e coerência de vida: Um exemplo de humildade, aliado à valorização do diálogo inter-religioso e da convivência pacífica entre diferentes credos.

  • Valorização da família: Por meio da exortação apostólica Amoris Laetitia, chamou a atenção para a importância do amor no âmbito familiar.

  • Santidade acessível a todos: Ressaltada no documento Gaudete et Exsultate, convidando os fiéis a viverem a santidade no cotidiano.

  • Cuidado com o meio ambiente: A encíclica Laudato Si destacou a necessidade urgente de proteger a casa comum, enfrentando os desafios ecológicos.

  • Amizade social: Promovida na encíclica Fratelli Tutti, que enfatiza a fraternidade e o compromisso com o bem comum.

  • Compromisso com a paz e os pobres: Uma defesa incansável dos marginalizados, dos encarcerados e de todos os que sofrem exclusão.

  • Confiança e proteção em Maria: A profunda devoção mariana foi fonte de inspiração para sua espiritualidade pastoral.

  • A misericórdia como chave para superar o legalismo: Proclamada especialmente no Ano Jubilar Extraordinário da Misericórdia.

  • Profecia contra o descarte da vida: Denunciou sistemas e práticas que marginalizam ou descartam os mais vulneráveis.

  • Cuidado com os jovens e valorização das mulheres: Promoveu espaços de protagonismo e valorização para ambos.

  • Questões administrativas com transparência: Avançou na reforma das estruturas da Cúria Romana, promovendo clareza, transparência e responsabilidade.

  • Cuidado com crianças e idosos: Destacou sua importância na construção de uma sociedade equilibrada e solidária.

  • A sinodalidade: Incentivou a participação, a missão e a comunhão como pilares de uma Igreja sinodal.

  • Preocupação com os migrantes: Um apelo constante à acolhida e ao respeito pela dignidade de quem se encontra deslocado.

  • Incansável criatividade evangélica e dedicação ao trabalho: Sua liderança foi marcada por iniciativas inovadoras e por um zelo pastoral inquestionável.

Texto 2:

Trecho da Meditação do Papa Leão XIV durante a Vigília e Rosário pela Paz, 11.10.2025

E entre as palavras de Jesus que queremos que não caiam no esquecimento, uma ressoa de modo particular hoje, nesta vigília de oração pela paz: aquela que dirigiu a Pedro no horto das oliveiras: “Mete a espada na bainha” (cf. Jo 18, 11). Desarma as mãos, mas sobretudo o coração. Como já tive a oportunidade de recordar noutras ocasiões, a paz é desarmada e desarmante. Não é dissuasão, mas fraternidade; não é ultimato, mas diálogo. Não virá como fruto de vitórias sobre o inimigo, mas como resultado da disseminação da justiça e do perdão corajoso.

Mete a espada na bainha é uma palavra dirigida aos poderosos do mundo, aos que conduzem o destino dos povos: tenhais a audácia de se desarmar! Ao mesmo tempo, é dirigida a cada um de nós, para nos tornar cada vez mais conscientes de que não podemos matar por nenhuma ideia, fé ou política. O primeiro a ser desarmado é o coração, porque se não há paz em nós, não daremos paz.

Entre vós não seja assim

Ouçamos ainda o Senhor Jesus: os grandes deste mundo constroem impérios com poder e dinheiro (cf. Mt 20, 25; Mc 10, 42), “convosco, não deve ser assim” (Lc 22, 26). Deus não faz desse modo: o Mestre não tem tronos, mas cinge-se com uma toalha e ajoelha-se aos pés de cada um. O seu império é aquele pequeno espaço suficiente para lavar os pés dos seus amigos e cuidar deles.

É também o convite a adotar uma perspectiva diferente, a fim de observar o mundo desde baixo, com os olhos de quem sofre, e não com a ótica dos grandes; considerar a história sob o prisma dos pequenos, e não com o dos poderosos; interpretar os acontecimentos da história a partir do ponto de vista da viúva, do órfão, do estrangeiro, da criança ferida, do exilado, do fugitivo. Como olhar de quem naufraga, do pobre Lázaro, jogado à porta do rico epulão. Caso contrário, nada nunca mudará, e não surgirá um tempo novo, um reino de justiça e paz.

Assim faz também a Virgem Maria no cântico do Magnificat, quando fixa o seu olhar nas fraturas que marcam a humanidade, onde ocorre a distorção do mundo no contraste entre humildes e poderosos, entre pobres e ricos, entre saciados e famintos. E escolhe os pequenos, permanece ao lado dos últimos da história, para nos ensinar a imaginar e, com Ela, sonhar novos céus e uma nova terra.