Advento: Tempo de alegre espera

O Advento é o período de quatro semanas que, vividos mistagogicamente, nos preparam para o Natal do Senhor. A palavra Advento vem do latim “adventus” e significa vinda, chegada. É um tempo de preparação para a vinda, a chegada de Jesus, o Salvador da humanidade.

O tempo do Advento foi se afirmando liturgicamente no Ocidente pelo século IV, mas é somente no século VIII que o Domingo do Advento se tornou o primeiro dia do Tempo Litúrgico, antes reservado ao Ciclo da Páscoa (EDSON DERETTI). No século VI, São Gregório Magno escreve como um tempo de “Advento escatológico”, isto é, tempo de expectativa e conversão que acende, em quatros semanas, o desejo da vinda do Senhor (Igreja em Oração), o Verbo Encarnado. O Advento da mesma forma remete ao sentido escatológico, nos convidando a preparar-nos para a espera da segunda vinda do Cristo (EDSON DERETTI).

A cada ano, a Igreja traz um tema para nos ajudar a refletir. Inspirado no Evangelista Lucas, o tema deste ano do Advento é a frase: “Hoje, é preciso que eu fique em tua casa” (19,5), sugerido por Denner Willian de Macedo, de Macapá/PA e escolhido pelos Bispos do Conselho Episcopal de Pastoral (CONSEP). Ela pertence ao conjunto narrativo do encontro de Jesus e o Zaqueu na cidade de Jericó. Zaqueu era cobrador de impostos, tratado por muitos como pecador, mas arrisca subir numa árvore de Sicômoro para ver Jesus. O Sicômoro (Figueira Brava) é a única árvore citada o nome no jardim do paraíso (cf. Gn 3,7) e era simbólico para os judeus, pois debaixo dela se liam as Escrituras (Igreja em Oração). Zaqueu reconfigura para um novo simbolismo: o encontro com a pessoa de Jesus está acima da Lei, da letra (cf. 2Cor 3,6).

A atitude de Zaqueu de subir na árvore não era para um encontro, apenas queria ver Jesus. O Filho de Deus, porém, aproxima-se dele, o vê e chama: “Desça depressa, Zaqueu, porque hoje preciso ficar na sua casa”. Aquele homem de estatura baixa, que todos o chamavam de pecador, desce e acolhe Jesus. Zaqueu reconhecia seus pecados, sentia que as pessoas acusavam e se afastavam dele, talvez usasse essa situação para legitimar seus erros. Mas Zaqueu se volta para nós como uma reflexão.

Humanamente convivemos com erros e pecados, as diversidades de problemas, poderíamos ficar fechados em casa, julgando o outro que fala calúnias. No entanto nossa atitude como cristão é buscar o encontro com Jesus, mesmo que seja primeiramente no silêncio do olhar, mas na certeza que Ele olha para nós. Silêncio diante do Sacrário, do Rito da Celebração, na mão estendida ao irmão, na natureza, buscar ver Jesus. Precisamos nos desafiar a encontrar caminhos de experiências concretas com o Senhor, e o Advento é uma porta aberta, pois Deus continua observando, chamando e se aproximando das pessoas.

O cartaz da campanha foi idealizado pelo artista plástico Antônio Batista. Nele a imagem central da Sagrada Família, com Maria grávida que bate à porta. Gesto que aparece no livro do Apocalipse onde Jesus fala: “Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei em sua casa e tomarei refeição com ele, e ele comigo” (3,20). Observava-se que a porta não possui trinco pelo lado de fora, nos lembrando que devemos estar atentos à espera do Senhor que vem hoje, assim como tem um sentido escatológico: é o hoje eterno de Deus, sempre presente, que começa aqui. Jesus não invade nossa vida, mas na sua paciência (cf. 1Cor 13), Ele nos chama e espera que cada pessoa aceite seu convite (cf. Lc 14,15-24).

Advento é esta espera feliz, esperançosa e acolhedora do Menino Jesus que bate à nossa porta para nascer em cada coração acolhedor de sua chegada. O comércio traz o Papai Noel, com todo o barulho, as cores, os enfeites, as luzes, as novidades das vitrines das lojas, a ânsia de vender. Jesus, porém, manifesta-se no silêncio, na oração, na simplicidade e nos gestos de solidariedade.

O Advento é o tempo oportuno para refletir e assumir ações concretas como a de Zaqueu procurando fazer uma alegre e profunda experiência com Jesus.

Dr. Pe. Clair Favareto
Professor da Itepa Faculdades

Rosomar André Beltz Salvia
Acadêmico de Teologia – Itepa Faculdades

Fotos: Arquivo Itepa Faculdades e Vaticannews