Nos primeiros tempos do cristianismo, falar de Jesus parecia simples. Ele era conhecido como um homem de Nazaré, profundamente humano, próximo do povo, alguém que viveu, sofreu e amou como todos. No entanto, à medida que o tempo passou e as comunidades foram se espalhando, surgiram dúvidas e discussões sobre a verdadeira identidade de Jesus.
No século IV, um presbítero chamado Ário começou a questionar a divindade de Jesus. Para ele, se Jesus era verdadeiramente humano, então não poderia ser Deus. O debate foi tão intenso que levou a Igreja a convocar o Concílio de Niceia, no ano 325. Ali, os bispos afirmaram com clareza a fé cristã: Jesus Cristo é verdadeiro Deus, da mesma substância do Pai. Mais tarde, porém, a ênfase excessiva na divindade acabou diminuindo a atenção à humanidade de Jesus. Para superar esse desequilíbrio, a Igreja realizou o Concílio de Calcedônia, no ano 451. Esse Concílio reafirmou a outra dimensão da fé: Jesus é também plenamente humano. Assim, ficou definitivamente proclamada esta verdade: em Jesus Cristo estão unidas, sem confusão, a humanidade e a divindade. Ou seja, ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Como escreveu Leonardo Boff: “Tão humano assim, só podia ser Deus mesmo”. A divindade de Cristo não diminui sua humanidade; pelo contrário, é nela que Deus se revela e se aproxima de nós.