VI Congresso Estadual de Teologia: “De Aparecida ao Sínodo da Sinodalidade: chamado do Espírito Santo a uma Igreja Missionária”
A busca pelo conhecimento sempre acompanhou a trajetória humana. Estudar significa abrir-se ao novo, aprofundar a compreensão da realidade e desenvolver a capacidade crítica diante dos desafios do tempo presente. Neste âmbito, “a inteligência concebe o que deve ser o bem em qualquer tempo e em qualquer lugar para que assim, em conformidade com ele, nos aperfeiçoemos” (GARRIGOU, p. 23). Assim sendo, no campo da Teologia, o estudo assume uma dimensão ainda mais profunda, pois procura compreender a experiência de fé, a ação de Deus na história e os caminhos da Igreja em diálogo com a sociedade. Nesse sentido, a reflexão teológica não se limita ao ambiente acadêmico, mas torna-se instrumento fundamental para iluminar a prática pastoral, fortalecer a evangelização e oferecer respostas aos questionamentos que emergem em cada contexto histórico.
O estado do Rio Grande do Sul, com suas instituições acadêmicas de ensino superior de teologia entenderam esta relevante causa e há muito tempo tiveram a iniciativa de reunir os professores e acadêmicos para as discussões pertinentes da época e o discernimento à luz da Teologia. Assim, os Congressos Estaduais de Teologia constituem uma importante expressão dessa caminhada. Embora existam registros de encontros e iniciativas teológicas anteriores, a própria história do evento apresenta desafios quanto à sua identificação e numeração. Conforme estudo elaborado por Frei Jorge Bernardi e publicado na Revista Litterarius (v. 24, n. 11, 2025), há diferentes referências históricas que dificultam estabelecer uma sequência única dos encontros realizados ao longo das décadas. O autor destaca a necessidade de organizar essa memória histórica e sugere que a numeração sequencial dos Congressos Estaduais de Teologia seja considerada a partir da reestruturação ocorrida em 2011, quando o evento passou a assumir um caráter mais integrado entre as instituições de ensino teológico do Estado. Nessa perspectiva, o Congresso realizado no ITEPA, em Passo Fundo (2011), seria considerado o I Congresso Estadual de Teologia, seguido pela EST, em São Leopoldo (2013), URI Santo Ângelo (2015), PUCRS Porto Alegre (2017) e FAPAS Santa Maria (2024).
Já neste ano de 2026, o VI Congresso Estadual de Teologia, irá acontecer em Porto Alegre, na PUC-RS, entre os dias 24 a 26 de agosto. O tema deste ano reflete: “De Aparecida ao Sínodo da Sinodalidade: chamado do Espírito Santo a uma Igreja Missionária”. Próximos de celebrar vinte anos da conferência de Aparecida e inspirados por este itinerário – incluindo o recente sínodo da sinodalidade – o congresso irá ressaltar a centralidade da sinodalidade, demonstrando a preocupação em fortalecer uma Igreja marcada pela escuta, pela participação e pela corresponsabilidade de todos os seus membros. Ao mesmo tempo, o congresso contará com abordagens de temas como a conversão pastoral, a opção pelos pobres, a ecologia integral, as migrações, o impacto da inteligência artificial na América Latina e a história das missões jesuíticas no Estado.
Uma das marcas centrais dos congressos de Teologia é justamente não se limitar a refletir apenas sobre questões internas da Igreja, mas procura dialogar com as grandes questões que atravessam a humanidade contemporânea, reafirmando a vocação da Teologia de iluminar a realidade à luz do Evangelho. Mas, a grande certeza destas grandes embolias de conhecimento, é a certeza de que “unicamente Deus visto face a face pode preencher o vazio profundo do nosso coração, que só Ele pode colmatar o profundo abismo da nossa vontade” (GARRIGOU, p. 27).
Eduardo Martello
Estudante da Graduação em Teologia
Itepa Faculades
Me. Pe. Rene Antonio Zanandréa
Professor da Itepa Faculdades
Referências
BERNARDI, Jorge. Estudo sobre a identificação numérica dos Congressos Estaduais de Teologia do Rio Grande do Sul. Revista Litterarius, Santa Maria, RS, v. 24, n. 11, p. 301-324, jul./dez. 2025.
GARRIGOU-Lagrange, Réginald. A vida eterna e a profundidade da alma. Tradução: Percival de Carvalho – 1. ed. – Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2025.
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