Dom Leomar Brustolin assessora o encontro de formação dos professores de Teologia da Itepa Faculdades: IVC e Sinodalidade

A reunião dos professores do Bacharelado em Teologia da Itepa Faculdades, realizada em 29 de outubro, teve como tema central a articulação entre a Iniciação à Vida Cristã (IVC) e a sinodalidade, contando com a valiosa reflexão do Arcebispo de Santa Maria, Dom Leomar Brustolin. Segundo o Coordenador do Curso de Teologia, Pe. Ivanir Antonio Rodighero, a presença ativa dos professores contribuiu para enriquecer o debate, evidenciando a importância de integrar a dimensão comunitária da fé nos processos formativos da IVC.

 A relação entre Iniciação à Vida Cristã (IVC) e sinodalidade revela uma profunda convergência entre o processo formativo e a identidade eclesial. A sinodalidade, entendida como “caminhar juntos” (koinonia), não se limita à participação formal, mas exige uma conversão contínua à escuta do Espírito e ao compromisso com a missão comum. Nesse horizonte, a IVC não pode ser reduzida a um curso ou etapa isolada, mas deve configurar-se como um itinerário de fé vivido em comunidade, onde pais, padrinhos, catequistas e catequizandos compartilham a experiência do discipulado. Essa perspectiva resgata a dimensão bíblica e patrística da Igreja como povo em caminho, corpo vivo e corresponsável.

A proposta de fomentar pequenas comunidades eclesiais missionárias como “casas da Palavra, do Pão e da Caridade” insere a IVC no coração da vida eclesial. Ao promover grupos de catequese que sejam verdadeiras “comunidades de vida”, a formação cristã deixa de ser apenas transmissora de conteúdos e passa a ser espaço de convivência, escuta e celebração. A inserção dos familiares nesse processo amplia o alcance da evangelização e fortalece os vínculos comunitários. Trata-se de uma pedagogia da fé que forma discípulos missionários desde o início, cultivando o senso de pertença e a corresponsabilidade no anúncio do Evangelho.

A sinodalidade se concretiza na IVC quando os itinerários catequéticos são formulados de maneira horizontal, ou seja, como processos em que toda a comunidade participa e se reconhece como sujeito da missão. Isso exige rever metodologias, incluir momentos formais de escuta comunitária e capacitar catequistas não apenas com conteúdos doutrinais, mas com formação nas dimensões da comunhão, participação e missão. A escuta ativa dos catequizandos e de suas famílias torna-se um critério de autenticidade sinodal, pois revela uma Igreja que acolhe, discerne e caminha com os seus membros.

Por fim, a avaliação periódica dos processos de IVC com indicadores de participação, corresponsabilidade e engajamento comunitário é uma prática que alinha a formação cristã com os princípios do Sínodo. Essa avaliação não visa controle, mas discernimento pastoral: identificar se os processos estão gerando vida, comunhão e missão. A IVC, nesse sentido, é mais do que uma etapa formativa — é a porta de entrada para uma Igreja sinodal, onde cada batizado é chamado a ser discípulo missionário em comunhão com os outros. Assim, a formação cristã torna-se expressão concreta da eclesiologia do Vaticano II e da renovação pastoral proposta pelo Papa Francisco e pelo Papa Leão XIV.