TCC: Um espinho na carne: a violência sexual no clero católico
Janderson Vieira da Crus
A todas as vítimas que deram voz ao silêncio!
Em homenagem ao Papa Francisco, cuja incansável dedicação
a este tema permanece como um legado inspirador.
Este estudo procura compreender a questão da violência sexual cometida por padres contra crianças, adolescentes e fiéis vulneráveis. Desse modo, o método utilizado é interdisciplinar, utilizando-se das ciências, da teologia, da história e da psicologia, visando oferecer uma abordagem mais ampla e integral sobre o tema. No primeiro capítulo, é abordado o conceito de infância ao longo dos séculos, demonstrando como fatores sociais e históricos exercem influência sobre como as pessoas analisam a violência e como respondem a esse crime. Ademais, aborda-se uma análise das diferentes formas em que ocorrem as violências, os perfis de agressores, situacionais e preferenciais, e os elementos neuropsicológicos relacionados à pedofilia. Além disso, os impactos que as vítimas carregam para a vida toda, por serem vítimas desse tipo de violência. Em um segundo momento, o estudo faz uma apreciação crítica das respostas institucionais da Igreja Católica diante dos casos de violências cometidas por seus clérigos. São avaliadas as ações tomadas durante os pontificados de São João Paulo II, Bento XVI e Francisco, compreendendo ações como a criação da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores e vários documentos escritos por estes Papas. A monografia destaca de modo incisivo a cultura do silêncio, bem como o clericalismo, e o encobrimento que ocorre quando desses crimes. Embora reconheça alguns progressos recentes, especialmente graças ao compromisso do Papa Francisco, reitera-se a necessidade de reformas estruturais e profundas para abordar o problema com determinação e verdade. Essas mudanças, a partir de agora, exigem o compromisso atento do Papa Leão XIV. Por fim, o trabalho propõe uma teologia do cuidado como um possível caminho para a cura e a renovação eclesial. Cuidar significa promover uma formação do clero que integre maturidade afetiva, equilíbrio na vivência da sexualidade e atenção autêntica às vítimas. Prevenção, escuta empática, responsabilidade e sinodalidade não são simples ferramentas, mas escolhas evangélicas indispensáveis para restituir a dignidade ferida de tantas vidas. Com esta reflexão, pretendemos contribuir para uma Igreja mais justa, transparente e conforme ao Evangelho que anuncia.
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