Revista CCI, Edição 68 – Mariologia

Estamos chegando ao final do ano. Resta—nos buscar um pouco de folego para darmos conta das últimas tarefas. O Itepa exige muito de professores e alunos. Porém, é uma exigência salutar, faz bem à fé, a consciência,a formação, sobretudo, faz bem ao sonho de construir teologia inserida na realidade e comprometida com aqueles que são, segundo o mestre de Nazaré, os protagonistas do Reino (Mt 5,155). Neste caso, o final do ano, o cansaço que surge, as preocupações quanto ao estudo, à prática pastoral, à vida comunitária, tornam—se desafios a serem enfrentados, não com medo ou insegurança, mas com a firmeza de quem preserva o sonho e a utopia. O número que vos chega às mãos traz a tona a temática da missionariedade. E um tema pertinente e desafiador. A fé cristã se faz missionária. Somos convidados a seguir os passos do Nazareno, assumir o preceito dado aos discípulos: “Fazei todos os povos discípulos, batizando e ensinando” (cf Mt 28,16—20). É uma tarefa aparentemente simples. Porém, é muito exigente. Fazer discípulos implica no respeito à cultura, à tradição, à caminhada religiosa daqueles a quem direcionamos a “Boa Nova”. Requer o cuidado para não fazer da “Boa Nova” uma péssima
notícia para aqueles que a recebem. Não por ela, mas pelas condições em que ela é transmitida. A missionariedade implica nesta sensibilidade, na atenção com aqueles que se fazem nossos interlocutores, a pessoa humana e sua forma de vida, o que compreende também o ambiente onde está se vivendo. A palavra missão ainda está carregada de “saber tudo”, ou seja, os missionários, junto com o Evangelho, colocam ao outro tudo o que consideram caro, sem perguntar se o outro aceita tal “oferta”. Já consideram a oferta aceita. Neste sentido, compreendem seus interlocutores como “tabula rasa”, ali não há
nada, um vazio a ser preenchido. Há o desconhecimento da possibilidade de uma forma de vida diferente, o que pode enriquecer a experiência de fé que está se fazendo.
A missão abre a perspectiva do encontro com a diversidade. São experiências religiosas, culturais, existenciais que são compartilhadas. A experiência do missionário não é esquecida, é relativisada no encontro com o outro. Este encontro de diversidades, que não se sobrepõem uma à outra, não anula a experiência missionária, a enriquece. O texto do Pastor Roberto Zwetsch ratifica esta compreensão. O Pastor Roberto afirma a necessidadede se fugir ao proselitismo exclusivista, pois Deus chama a ser povo para anunciar o evangelho da salvação. É um princípio ecumênico. Em um artigo anterior, entrevista com o Pe. Romão Capossa, vamos aprender um pouco da riqueza do povo moçambicano. Moçambique não é a África, é parte da África. O Pe. Romão está na Diocese da Passo Fundo nos enriquecendo com sua presença e experimentando um pouco
da nossa hospitalidade. O Pe. Ivo Oro, da Diocese de Chapecó, escreve um artigo onde
recorda que a missão, como processo de evangelização, exige cuidados especiais. Atualmente há algo novo ligado à vida urbana que é o desabrochar da religiosidade de acento subjetivista e daí o desafio de evangelizar neste contexto dialogando com ele sem se descuidar do que é prisma da evangelização. Ainda tratando do fenômeno urbano e missão, Pe. Alex nos apresenta o artigo “Mundo Urbano e Missão”, no qual, após expor
aspectos fundamentais da missão da Igreja, reflete sobre os desafios na mesma na perspectiva de busca do diálogo na atual conjuntura de urbanidade e espaço de missão.
Seremos brindados com algumas sínteses das monografias dos alunos concluintes. É um passo significativo que o Itepa está dando. Os alunos se desafiam a escrever teologia a partir de suas experiências de pastoral. Bom proveito caros leitores. Que o ano 2004 se apresente a nós e encontre a todos renovados na fé e na esperança.

Modjumbá Axé – Aquele que é minha força vos abençoe!
Pe. Ari Antônio dos Reis

Nesta Edição você encontrará:

Artigos:

  • A gratuidade religiosa de Maria, texto da Ir. Lúcia Maria Knob e Ir. Rosa Spaniol;
  • Questões de Gênero: algumas luzes brilham, texto de Jane Mendes;
  • Maria e o agente feminino na evangelização, texto da Ir. Adelayde Furlanetto;
  • Maria, mãe e discípula de Jesus, texto de Fátima Mânica e Isaura Rigotti;
  • O rosto de Maria á luz da Bíblia, texto da Ir. Neusa Maria Delazari;
  • Os movimentos populares à luz de Maria, texto de Tarcísio Brighenti;
  • Maria, geradora de vida, texto de Iraci Tereza Machado;
  • Mulher, geradora de vida, texto de Marlene Schmitz;
  • Maria e a ação transformadora, texto de Taís Marlow Armanini;
  • A religiosidade popular em torno de Maria, texto de Rinaldo Ferreira Medeiros;
  • Maria na vida do povo de Deus, texto de Altair Poletto Lopes;
  • Mulher: vida, esperança, criatividade e luta, texto da Ir. Eliana Aparecida dos Santos;
  • Desafios que permanecem em torno da Teologia de Férias, texto do Ir. Albino Trevisan e Ir. Ronilson Simão dos Santos;
  • Curso de Teologia de Férias: alternativa de transformação, texto de Nelson Giovanelli Rosendo dos Santos;

Artido especial:

  • Para uma pastoral da terceira idade, texto de Dom Manuel João Francisco;

Espaço Aberto:

  • Homenagem à Teologia de Férias e ao Ensino Religioso, texto do Pe. Clair Favreto;

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Informações técnicas
Título: Revista Caminhando com o Itepa – Mariologia
Autor: Faculdade de Teologia e Ciências Humanas – ITEPA FACULDADES
Número: 68
ISSN: 1677-860X
Mês/Ano: abril de 2003
Páginas: 94