Mês da Bíblia 2025: “A esperança não decepciona” (Rm 5,5)

Durante o mês de setembro, a Igreja do Brasil propõe a reflexão e discussão de um dos 73 livros que compõem a Bíblia Sagrada. Neste ano de 2025, em espírito de sintonia com o Ano Jubilar, o texto escolhido foi a Carta de São Paulo aos Romanos. Esse mês temático busca incentivar nos cristãos a prática da leitura e meditação dos textos sagrados. O objetivo é fortalecer a relação entre a Escritura e a fé das comunidades, tendo em vista a afirmação do Concílio Vaticano II de que “As coisas reveladas por Deus, contidas e manifestadas na Sagrada Escritura, foram escritas por inspiração do Espírito Santo” (DV 12). Para favorecer o aprofundamento da Carta de São Paulo aos Romanos, a Itepa Faculdades, realizou em agosto, um Curso de Extensão sobre a referida Carta, contando com centenas de estudantes.

Para entender a carta paulina, é importante situar que ela foi escrita por volta do ano 58, quando Paulo já era um missionário experiente. Embora ainda não conhecesse a comunidade cristã que havia na cidade de Roma, Paulo demonstrava sua estima por essa comunidade, na qual estava “desejando há muitos anos chegar […]” (Rm 15,23). A esperança do apóstolo se manifesta ao longo dos 16 capítulos que compõem a carta. Paulo mostra-se comprometido em apresentar que nossa grande esperança vem por meio da ação de Deus: “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Rm 5,5) Ao assumir na cruz os pecados da humanidade, somos, por meio de Jesus Cristo, reconciliados. Esse processo de reconciliação nos permite olhar o mundo, em suas diversas realidades atuais, com um olhar diferente.

O Papa Francisco, na bula de proclamação do Ano Jubilar Spes non confundit (A esperança não decepciona), nos convoca a olhar o mundo atual com esperança — uma esperança não apenas no sentido de aguardar algo novo, mas de participar ativamente da construção de novas realidades. A paz entre os povos, a transmissão da vida, o cuidado com as pessoas pobres e doentes formam algumas das ações elencadas por Francisco como prioritárias no anúncio da esperança cristã. A todos nós que professamos a fé no Deus encarnado, o pontífice nos lembra que “é necessário prestar atenção a tanto bem que existe no mundo” (SNC 7) e fomentar essas iniciativas. O desafio é sermos cristãos ativos e esperançosos na Igreja e no mundo!

Portanto, o Mês da Bíblia busca reavivar em nós, cristãos, a esperança — mesmo em meio aos desânimos frequentes que o mundo nos apresenta! A salvação, um dos grandes temas da carta, vem por meio de Jesus Cristo. Contudo, o Salvador nos convida a viver, desde já, o Reino de Deus. Esse compromisso evangélico requer de cada um de nós firmeza na conversão e na opção. Uma maneira de fortalecer esse caminho é deixar-se reanimar pela esperança, por meio da leitura e meditação da Bíblia — ela, que é “fonte pura e perene de vida espiritual” (DV 21).

Anderson Munari
Acadêmico de Teologia da Itepa Faculdades

Dr. Pe. Ademir Rubini
Presbítero da Arquidiocese de Chapecó-SC

Questões para refletir
Como me organizarei para refletir a Carta aos Romanos no mês da Bíblia?
Qual gesto concreto (pessoal ou comunitário) poderá ser feito para simbolizar o compromisso assumido com esta reflexão?

Fotos: Arquivo Itepa Faculdades